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Mac OS X Server. Introdução ao mundo dos grandes! Parte III

Passadas a primeira parte onde se fala do “servidor” como entidade, e a segunda, onde se fala do Mac OSX Leopard server em si (bemol), chegou a hora de se tentar perceber a escalabilidade da solução…

…ou seja… quanto custa um servidor ou solução.

Caso prático: Estes gauleses são doidos…

Um pequeno núcleo de 4 pessoas que suportam o seu trabalho em Macs, optou por, um pouco a contra corrente já que a empresa usa maioritarimente sistemas windows, comprar o macosx server Leopard para instalar num computador antigo que havia passado ao “quadro de excedentes”.

Trabalham na área de pré-produção digital para impressão em folha metálica desde 1971, que, a par da necessidade de partilhar espaço em disco, sentiu necessidade de avançar para um nível acima “promovendo ideias acertadas para o grupo e elevando o nível de colaboração entre a malta aqui do departamento”.

A ideia, segundo o seu autor é primeiro ter acesso e à tecnologia Server e depois ir tendo experiência para que um sistema destes cresça verdadeiramente para níveis a sério, e ver este server a fazer mais e mais…

“Para já o servidor presta serviço na área do Time Machine (excelente solução), iCal Server (muito fixe), Partilha de dados armazenados (mais útil do que parece), tendo iniciado as funções de servidor de blog e de wiki… (que é mesmo um grande ideia da Apple e une as pessoas de verdade)”

O equipamento escolhido foi um Power Mac G5 2x 2,5Ghz de 2004, com Cinema Display 20” (Alumínio). Tem temporariamente 1Gb de memória devido a uma necessidade extraordinária de uma outra máquina de trabalho, e uma capacidade de armazenamento de 160Gb + 500 Gb, tudo interno. O disco de 500 Gb é dedicado ao Time Machine exclusivamente. O Time Machine faz backups do server e aos outros 3 Macs.

Além do Time Machine, actua como servidor de iCal (calendário) onde uma conta comum faz o planeamento do que vai ser impresso nas máquinas principais. Cada Mac cliente, abre sempre com o ical no login e fica no imediato a saber a programação para toda a semana, disponível a toda na hora. E qualquer um (os autorizados claro) podem acrescentar e alterar informações e prazos. Colaboração verdadeira.

Partilha de informações via blog permite publicar todas as novidades centralmente, que são recebidas por RSS nos programas de correio de cada computador cliente! Simples!

Os trabalhos finalizados de cada um estão todos depositados no Server, assim como outros templates que usamos (em vez de repetir os conteúdos em cada Mac… vai-se ao server buscar e usar).

Partilha de arquivos (PDFs, arquivos gráficos de trabalhos em necessidade de serem trocados estão presentes no server e é só lá ir buscar) controlando-se e gerindo quando necessário o acesso remoto às máquinas dos outros colegas.

Apesar de activa a Wiki ainda não está carregada, e a ideia é fazer do serviço um historial de conhecimentos, que se descobre pesquisando na própria Wiki. É uma boa ideia para ajudar quem é novo na empresa a responder a algumas dúvidas.

A minha futura aventura será ter os contactos do Adress Book dos clientes todos partilhados e assim cada um ter acesso aos mesmos dados e actualizá-los em tempo real.

Para quem acha que um servidor é um bicho de sete cabeças, o Leopard Server tem uma forma boa de resolver os problemas. Além de uma interface de configuração fácil, em caso de “estrago permanente” a melhor solução é meter o DVD de instalação e passado meia-hora (é mais rápido que o Leopard normal a

instalar) fica personalizado de forma absolutamente fácil e incrível.

É só responder a uma série de questões básicas sobre os serviços a montar (desde qual o nome do dominio que queresmos -ele até dá sugestões- ao registo do número de série) e 10 min depois já está a funcionar. O modo Standard (o mais indicado na minha situação) fica logo com tudo a funcionar automaticamente.

Como não é uma formatação mas sim uma recuperação, todos os dados estão salvaguardados e imediatamente disponíveis para todos.

No que toca ao resto da empresa… “Eles têm um um Windows Server 2003 (salvo erro Basic), que unicamente serve para armazenar dados e fazer backups. Não faz mais nada… não gere DNS (é o coitado do modem), não tem Open Directory, não tem…resumindo não faz nada digno de um Server. (…) e que também daria para se fazer num Leopard Server.”

Custo da solução:

– Mac OS X Server 10.5 -10 utilizadores (365€ sem IVA)

– Disco interno de 500Gb (88€ sem IVA)

– 1Gb de Ram (para ficar 2Gb)… que entretanto ficou na mesma em 1Gb (39€ sem IVA)

– Switch Gigabit 16 portas (±140€ sem IVA)

Este é um excelente exemplo da utilização das tecnologias de servidor num ambiente pequeno, doméstico e controlado… que compensa largamente em termos de benefícios para os utilizadores. É que um “servidor” não é aquela figura isolada de maincenter que todos pensamos fechada hermeticamente numa sala ventilada. É apenas um computador dedicado única e exclusivamente a partilhar os seus recursos por vários utilizadores que lhe acedem remotamente, sejam eles quantos forem.

7 – Então o que devo comprar?

Tal como deve ter percebido pela leitura da peça anterior, tudo vai depender de duas coisas… Quantas pessoas vão depender desta máquina, e que tipo de serviços é que pretende oferecer.

Partindo do princípio que alguns serviços se vão tornando necessários apenas à medida que sobe o número de participantes no trabalho, vamos tentar criar escalas de serviços com base no numero de participantes, e descrevendo os serviços numa forma incremental.

7.1- Uma pessoa… O trabalhador independente

As necessidades são básicas… uso a conta de e-mail indicada pelo meu acesso à internet (ADSL ou Cabo) e ligo todos os dispositivos à minha máquina (Impressora/multifunções). A necessidade principal prende-se com o backup dos meus dados de trabalho… nesse campo um disco USB chega.

Propomos sempre o uso de dois discos, trocando mensalmente a localização física dos mesmos… (e.g. um no carro, e um no escritório)… assim, mesmo em situações de trabalho remoto temos sempre os dados todos. De mês a mês trocam-se os discos smile. No caso de um ser roubado de casa… teremos sempre o outro.

Nestas situações há também bons sites para backup online dos dados, como o .Mac da Apple ou o produto da PT PRIME o backup online (não tem cliente para mac) que funciona exactamente como o time machine só que para uma unidade remota…asseguramos assim a remotização do backup… à custa da velocidade de upload e download dos mesmos.

Bom, bom é se tiver um portátil, usar o Time capsule para criar a ligação wireless ao seu router, e fazer backups instantaneos, sem a sua intervenção.

Total a investir: a partir de 89€ num disco externo USB… é o mínimo que devemos aconselhar.

7.2- Entre dois e cinco computadores

Pequenos escritórios, ou o chamado Home Office. Além do backup, a partilha de impressora é um must. Aqui um time capsule ou um Airport ou outro router com porta USB e servidor de impressão será suficiente.

Um servidor dedicado para e-mail, ou contactos deverá ser equacionado, dependendo da área profissional, ou seja se esta exigir a partilha deste tipo de informações. Na maioria dos casos um vulgar alojamento de um site garante-lhe o número de contas de correio necessárias, o que adicionado a um domínio do tipo “empresa.com” pode subir a cerca de 100€ anuais a manter.

Deverá ser equacionada uma unidade de rede para partilha de ficheiros (Network Attached Storage) essencialmente se for numa área onde muitas informações são trocadas ou muito trabalho colaborativo é realizado, como por exemplo numa agência de publicidade onde ficheiros de grandes dimensões são um must.

7.4- Entre cinco e dez computadores

Isto já começa a ser muita fruta para um acessório de rede. Aconselhamos a comprar um bom computador (Mac PRO) com boa capacidade de expansão de memória e armazenamento, para cumprir com a tarefa de gestão dos ficheiros partilhados. Não nos podemos esquecer que em cada solicitação à máquina é exigido uma série de recursos que são atribuídos a cada tarefa. Estes recursos em caso de acessos simultâneos rapidamente podem fazer pendurar qualquer sistema de ficheiros.

E convenhamos… o Mac PRO não perde nada em relação aos servidores de entrada de gama, socorrendo-se dos processadores XEON da INTEL (Até 8 cores) e da memória FB-DIMM de acesso bem mais rápido… tudo “server grade”.

Uma mais valia nesta aquisição é a possibilidade de activar todos os serviços que o Mac OSX Server tem disponíveis. Partilha de contactos, de calendários ou mesmo de um repositório de informação comum com uma interface web (Wiki) começam a dar jeito, não só em termos de arrumação e organização de arquivo, como também a pesquisa futura desta informação.

Custo: Mac PRO : desde 2.049,00€ + UPS 80€+ Mac OSX Server 459€+ disco externo USB para backup 300€ = aprox 3.000€.

Em alternativa, se pretender apenas o backup dos seus dados, experimente um NAS avançado a partir de 500 € mais os discos. A grande maioria dos NAS suporta já RAID que permite ter um disco de acesso aberto a todos e um outro em mirror, que espelha o conteúdo do primeiro, aumentando a segurança contra falhas.

Mas atenção… Um NAS de 500€ dificilmente se portará bem se tiver muitos clientes a aceder. Estes equipamentos são discos rígidos com uma placa de silicone com processadores dedicados que, como é obvio, quanto mais caros maiores as capacidades de receber interpretar e servir os conteúdos necessários em simultaneo.

Dica: Se puder programe o time machine de cada máquina para ligar a uma determinada hora não coincidente…

7.5- Mais de 10 computadores

É claro que existem zonas de conforto que podem ser dobradas… neste caso a primeira solução do ponto 7.4 pode ser aplicada com grande sucesso, especialmente se tiver optado logo por um Mac PRO de maior capacidade e com muita memória. Como o sistema é 64 bits, a limitação dos 4 GB de memória dos 32 bits (não é de disco) não se aplica, podendo ser usado em simultaneo para gerir bases de dados, acesso web bem como os serviços habituais de Mail e/ou chat.

No entanto há certas coisas que não se podem esquecer. No caso do servidor pifar, der o berro ou simplesmente a fonte de alimentação der o berro por incúria da EDP ou de uma UPS marada, caput. tem obrigatoriamente que desligar o servidor, ficar sem serviço por um tempo, até estar tudo normalizado.

É aqui que o Xserver deverá receber toda a atenção…

Redundância de sistemas de alimentação, sim, tem, e quando uma vai abaixo a outra continua a trabalhar, e uma coisa fenomenal que é o Hot Swapping… “tudo aquilo que sempre quiz fazer e teve medo de apanhar um choque”: Que tal mudar a fonte de alimentação ou um disco rígido com o computador a trabalhar smile ?

Alie-se isto à possibilidade de monitorização remota do sistema com alarmística sobre coisas que possam esta a correr mal ou em vias de simplesmente apagar… é priceless.

Pedimos um preço de referência para 10 utilizadores à Lojamac que nos indicou o seguinte:

Xserve 4-Core 2.8 GHz

Processador: 1 x Quad-Core Intel Xeon a 2.80 GHz

Memória: 2 GB (2 x 1 GB) 800MHz DDR2 ECC FB-DIMM

Disco rígido: 2TB (2 x 1TB) Serial ATA ADM, 7200rpm

Suporte gráfico: ATI Radeon X1300 64MB SDRAM with VGA Adapter

2 x Fonte de alimentação 750W

Mac OS X Server 10.5 Leopard (Unlimited Client License)

Preço: 3899 euros

UPS MGE Ellipse MAX 1100 USB

Preço: 362,14 euros

Switch SMC EZSwitch 16 portas 10/100/1000 Rack19”

Preço: 196,86 euros

Rack/Armário standard

300€ mas é bastante variável consoante a dimensão e necessidades de ventilação.

Preços com IVA Incluído!

Claro que este é um preço meramente indicativo e poderá assumir outra forma se forem contratados outros tipos de serviço.

Published in iSwitch

7 Comments

  1. ArmPauloFerreira ArmPauloFerreira

    Arranjaste uma missão do caraças, JPC. Mas estás a safar-te em grande escala. Abordagens muito boas principalmente para quem leva muito a sério as necessidades de um servidor.

    Tal como referes na coluna ao lado, dou um uso simples para já mas tenho a expectativa de ver crescer a solução de servidor com produtos Apple.

  2. Rodrigo Rodrigo

    Muito boa a série de artigos!

    Escrita de forma bem didática, mas mesmo assim abordando tópicos avançados.

    Surgiu uma curiosidade: você tem idéia do percentual de empresas aí em Portugal, e até mesmo no resto da Europa, que usam soluções de servidores Apple?

  3. Joao Carvalhinho Joao Carvalhinho

    Olá Rodrigo

    É raro a utilização exclusiva de plataformas Apple no desktop, e como tal, com a necessidade de integrar maioritariamente computadores windows, as empresas optam genericamente por windows server.

    Usando os números do Artur da parte II (caso prático), partindo do princípio que a Apple tem 5% do mercado na Europa, e apenas 0,5% desses computadores vendidos são com servidor… vês que os números são mesmo muito baixos.

    Parecendo que não, num ambiente misto em que as vantagens Mac não sobressaem (Ical, adress book, etc) e face ao preço de uma HP ou DELL, dificilmente se “ganha” esta batalha… apesar de na maioria dos casos as soluções de servidor servirem praticamente para e-mail e partilha de ficheiros… para os quais o Leopard está mais do que seguro.

    Muito obrigado pelas palavras simpáticas smile

    JPC

  4. ArmPauloFerreira ArmPauloFerreira

    Olá Rodrigo! Que bom tê-lo por aqui.

    O que achou da parte dos gauleses? Fiquei curioso…

    @ò JPC… a parte dos doidos…

  5. Joao Carvalhinho Joao Carvalhinho

    LOL… “estes romanos são doidos” é uma das minhas frases preferidas, e claro, associados aos gauleses dos livros do Asterix smile uma das minhas bandas desenhadas preferidas, onde figura uma pequena comunidade de “resistentes” ao domínio completo dos romanos. smile… Neste caso… são os herois!

    JPC

  6. ArmPauloFerreira ArmPauloFerreira

    Bom agora com essa explicação da Astérix (que também adoro muito)… já aceito de bom grado!

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