Avatar 3d vs. Avatar 2d
Há dias fui ao cinema ver o AVATAR em 3d. Armado em totó não comprei os bilhetes com antecipação. Quando cheguei ao cinema, além de estar esgotada a sessão que eu pretendia, estava uma fila do caraças.
Como não me apetecia ir para casa sem ver o raio do filme, aproveitei, e comprei um bilhete para a sessão em 2d.
Gostei bastante do filme, aliás, gostei tanto, que o 3d me tinha ficado atravessado… por isso… não resisti a um impulso de última hora… e ontem fui ver a versão 3d. Eis o que resulta do confronto.
Escolhi o mesmo cinema, mas desta vez, fui bastante cedo comprar o bilhete oa ElCorteIngles. em ambas as situações, os lugares não eram marcados, e como cheguei em cima da hora à sala, contentei-me com um lugar na terceira fila, mas bastante central.
Falando um pouco do filme, a história é simples. a tradicional história do Romeu e Julieta, com o twist romanesco em que o tipo tem um objectivo de destruição e acaba apaixonado pela rapariga da família contrária, originando um conflito de vontades entre o que lhe foi pedido inicialmente, e aquilo que ele acaba por ser no fim.
Mas não é a história que conta. Reza a crónica que o filme demorou 17 anos a fazer, simplesmente porque não havia tecnologia para o fazer.
Bem… na realidade, o filme é uma pura demonstração técnica do que se consegue fazer hoje em dia em Computer Graphics. E é uma puta duma demonstração.
Consegue-se criar um mundo alternativo totalmente virtual tão credível, com alterações físicas tão subtis (noção de escala das personagens, ou simplesmente uma força de gravidade inferior...), ou seres tão detalhados resultantes de cruzamentos de espécies terrestre, que tudo o que se vê, desde os bichos, aos equipamentos bélicos que aparentemente pesam mais do que 300 Airbus A380 que voam… que tendencialmente… acreditamos.
E é isso que este filme tem de bom, bolas de excelente… é fácil acreditar...nas árvores, nos bichos, nas ervas que são sensíveis ao toque, nas nuvens, até no raio das montanhas Aleluia, as célebres montanhas suspensas onde quedas de água caem… mas em vez de cairem no infinito até se perderem de vista, simplesmente dispersam-se no ar gerando uma neblina constante, por efeitos de uma total ausência de gravidade… sim, a mesma sustenta as montanhas no ar… É este o tipo de pormenor que empresta credibilidade a tudo o que vai desfilando no ecrã.
Depois de isto explicado… eis aquilo que me traz a este post… o confronto versão 2d e versão 3d.
A versão 2d é soberba. A sala ajudou, creio que de ecrã digital (agora já não tenho presente), permitiu-me desligar o cérebro, e optimizar a “suspension of desbelief” que se pretende ao ver um filme… ou seja suspender a ideia de que estamos a ver algo que não existe.
A versão 3d é mais rasca. Poluída com efeitos 3d totalmente desnecessários como “mosquitos” numa cena nocturna, ou cinzas a cair de forma pouco “natural” um pouco por todo o lado causando uma poluição visual execrável. Depois as legendas, sobrepostas, passam a ser a personagem principal. Como não têm 3d… são o primeiro plano… sobrepondo-se mesmo às letras do filme.. nas cenas de videoblog… Kudos à tentativa da equipa que as montou em tentarem usar a localização das mesmas em diferentes sítios para evitar a sobreposição com outros elementos de texto… mas isto causou pelo menos uma situação insólita em que as ditas legendas… ficaram quase no centro do ecrã!!! ridículo.
O que o 3d oferece à cena é pouco, excepto nas situações em terreno aberto, onde uma profundidade de campo maior, ajuda a contratar mais os afastamentos dos objectos. Isto é notório logo no princípio quando o nosso herói acorda do sonho numa nave cilíndrica onde se nota bem o seu comprimento.
Nas cenas “compostas” pelo computador percebe-se, nas cenas de interior, com menor amplitude de profundidades… gera alguma confusão visual.
Assim ganha-se nas cenas de voo… que ficam soberbas, lindas, perfeitas (adorava ver um filme da segunda guerra mundial com isto, ou um TOP GUN)… mas que constituem 0,4% do filme.
De resto, a perda de nitidez de imagem, inerente à utilização de uma técnica que ainda não é perfeita, dependente de óculos, que interferem na “visibilidade” e sobretudo no conforto… aliado a um custo superior… simplesmente não compensa.
Assim, se ainda não viu o AVATAR vá ver. Se estiver indeciso entre 2d e 3d… não pestaneje e veja a 2d. Se quiser mesmo a 3d… então vá ver, e embarque numa nova experiência… depois logo aluga a versão 2d em BluRay… e arrepende-se de não a ter visto no cinema como deve de ser.
Sobre esta entrada
Este texto entitula-se "Avatar 3d vs. Avatar 2d" e está inserido no tema "iSwitch"
- Publicado por:
- Joao Carvalhinho
- em:
- 05/01/10 - 11:58 AM
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- 8 Comentários | e este Permalink
A review é muito interessante mesmo. Confrontar a versão 2D com a 3D faz pleno sentido. Não vi a versão 2D mas acho que recomendar a falhar a versão 3D é injusto pois o filme ganha realmente pelo uso invulgar do 3D. Contudo que não tenho dúvidas que este vai ser o filme que vai servir para as melhores demonstraçãoes de Blu-ray e versão Full HD nas melhores televisões LCD (a LED ou melhores). Avatar vai ser o novo “Blue proof” visual da tecnologia. A história banal? Who cares…