Mac OS X Server. Introdução ao mundo dos grandes! Parte II (actualizado)
Na primeira parte desta mini série em ... err...uma série de episódios, tentei explicar por palavras minhas e num longo relambório o que é um “servidor”.
Nesta segunda parte vamos pois enfocar nas diversas necessidades que um servidor pode satisfazer e como é que o Mac OSX Server os presta.
Sigamos para mais um lençol…
Entrevista: Victor Domingos da Lojamac.com
Iswitch: É habitual vender este tipo de máquinas?
Victor: Cerca de 0,5 % das máquinas vendidas.
I: É habitual vender este tipo de Sistema operativo em caixa?
Não é habitual. Os nossos clientes que utilizam o OS X Server utilizam-no num servidor Xserve.
I: Qual a solução mais complexa que já venderam?
V: Um Xserve destinado a uma intranet com cerca de 10 utilizadores, que irá correr uma solução de base de dados feita por medida que integra funções de contabilidade, gestão de recursos humanos e recursos imobiliários, arquivo de documentação. Essa solução de software utiliza tecnologias como Filemaker Server, Ruby on Rails, Apache e PostgreSQL. Trata-se de um projecto que está em curso, sendo que numa fase posterior está prevista a implementação de acesso via Web a uma aplicação desenvolvida em Ruby on Rails.
i:Qual a taxa de falhas das soluções de servidor a Apple?
V: Não há números sobre isto, tanto quanto sabemos. Em todo o caso, um servidor bem configurado é à partida uma máquina muito estável. Temos apenas conhecimento de um Xserve G4, que uma vez precisou de parar por 2 ou 3 minutos, para substituir um ventilador que estava a fazer bastante ruído.
I:Têm alguma prática de “instalação e configuração de Macosx Server”
V: Sim, temos um técnico especializado em instalação e configuração de servidores e soluções de rede, com experiência em Mac OS X Server.
I: Qual é, na vossa opinião o número de users de rede que “rentabilizam” uma solução de servidor?
V: Depende do tipo de solução e da tarefa a que se destina. Como servidor de ficheiros, 5 a 10 utilizadores em acesso simultâneo. Como servidor de base de dados, correio electrónico, web, como plataforma de computação distribuída, etc., não se pode avaliar a rentabilidade apenas pelo número de utilizadores. Por exemplo, há questões relacionadas com a segurança, desempenho e estabilidade: como um Xserve não é utilizado em simultâneo para funções típicas de um computador “desktop”, há menos probabilidade de ser instalado software que interfira com o desempenho da máquina. Além disso, é minimizada a probabilidade de bloqueios de sistema (que são especialmente críticos em máquinas que têm de estar ligadas 24 horas por dia, 365 dias por ano).
O hardware destas máquinas é concebido de modo a conseguir uptimes de praticamente 100%.
Por outro lado, um servidor Xserve pode ser monitorizado e gerido remotamente, a partir do exterior, possibilitando a resolução de certos problemas sem que seja necessária a presença de um técnico especializado no local físico onde se encontra o servidor.
Depois, há algumas vantagens “típicas” da utilização de um servidor: as funcionalidades de “hot-swap” e redundância de hardware permitem substituir um disco ou uma fonte de alimentação sem que isso implique ter de desligar o equipamento e interromper os seus serviços. Isso é praticamente impensável com computadores “desktop"…
3 -… e o software?
Até agora estivemos preocupados com a musculação e com a roupagem do servidor… em que meio social se dá e finalmente que tipo de contrato é que pode prestar e onde… mas e a sua educação? e a sua sabedoria… vamos falar do software… o Mac OSX.
3.1 - Um pouco de história.
Para muitos pode ser novidade mas a Apple não construiu nada de raiz no Mac OSX, ou seja a propriedade intelectual da base do que existe hoje não veio da Apple e seus engenheiros (especialmente os históricos). Segundo o Peter Bright a coisa principal que a Apple fez, e fez muitíssimo bem, foi ter cortado radicalmente com tudo o que possuía até ao momento… no Mac OS 9… mais recentemente chamado de Classic na sua versão “emulada” no Mac OS X (10).
O Mac OSX é um misto de coisas boas que não nasceram em Cupertino. Por baixo tem um Kernel (motor) chamado Darwin que deriva de algo que está disponível na internet gratuitamente que é o freeBSD. Era de todos os motores aquele que apresentava a maior segurança e possibilidade de adaptação ao powerpc.
Logo de seguida está a linguagem de programação… Tendo por base o C, a Apple juntou-lhe um conjunto de bibliotecas (conjunto de código reutilizável que quando misturado resulta num programa… é tipo os blocos de lego) que o Steve tinha comprado aquando da aquisição da NeXT, o chamado Next Step. Com estes blocos bem constituídos e definidos foi fácil criar todas as aplicações que hoje tanto gostamos.
Finalmente os serviços. Grande parte das aplicações que asseguram os serviços base são gratuitos e existentes na web. A utilização do freeBSD veio potenciar a utilização de todos os utilitários que existiam já para essa plataforma. Coisas como o ipw (firewall), o Apache (servidor Web), o Mysql (bases de dados) tudo isto existia já… e gratuitamente na net.
A Apple pegou nisto tudo e construíu a interface gráfica que tanto gostamos. os comandos, os botões, os efeitos tridimensionais, o som, e os programinhas que adoramos.
Então se o mérito não é da Apple… porque raio estamos nós aqui a falar disto?
Porque a Apple teve o mérito de cortar com as amarras do passado, o código legacy, foi ao que de melhor se fazia na web, e compilou tudo numa embalagem visual brilhante, limpa, aprumada, dando enfoque no que realmente interessa… na experiência do utilizador.
3.2 - so what?
Com este enfoque todo no ambiente gráfico a Apple conseguiu fazer uma coisa muito engraçada… que foi criar um sistema operativo que é tão fácil de configurar e usar (supostamente) como a sua versão de trabalho pessoal.
O freeBSD é um primo do Linux… e só ouvir este termo “Linux” uma pessoa associa desde logo a linha de comandos e aquelas coisas muito complicadas com várias linhas e parâmetros, que já está hoje muito longe da realidade… tudo isto continua a existir mas está por debaixo de uma capota desportiva e um interior de couro do melhor.
4 - Servidor… então e os serviços?
Para entrar nos serviços o melhor é começar imaginar as necessidades.
Quando pensamos num grupo de trabalho imaginamos umas 2 salas de escravos, cada uma com 3 pessoas, uma recepção com uma recepcionista/pauPaTodaObra, uma sala do chefe e uma sala de reuniões…
Ora cada uma destas pessoas produz conteúdos (supostamente), tem a sua agenda, os seus contactos, e grande parte das vezes trabalha com os colegas em trabalhos comuns. Fala com clientes e fornecedores localizados fora da empresa, e claro, lê este meu blog.
Pensando nas necessidades internas de cada um deles temos então num mundo perfeito…
- Cada um tem a sua agenda, mas no caso de o pretender, partilha a sua lista de contactos de clientes e fornecedores.
- Cada um tem a sua agenda, mas interessa-lhe saber quais os seus colegas que já têm compromissos e não podem ir ver o Euro para a sala de reuniões… (normalmente estes compromissos são com o chefe, e assim este “escravo” serve de decoy, mantendo o chefe ocupado...durante 90 minutos).
- Cada um produz daqueles powerpoints e exceis que são difícies de compreender sem um manual dedicado… pior… por vezes os documentos são criados em simultâneo e em conjunto… o tradicional trabalho de grupo… “eu faço a capa, tu tratas do capitulo um e tu do dois… juntamos tudo no fim a ver o que dá”.
Estes ou são trocados entre todos ou alguém tem que servir de centralizador do ficheiro final. - Depois de produzidos… têm que os imprimir… e imprimir e imprimir… e não vai ser muito barato uma impressora para cada um, mais vale partilhar uma boa impressora
- Fazer backups… que raio… só me lembro disto quando perco os dados todos!!! os colaboradores devem fazer backups regularmente
- Então e trabalhar a partir de casa? Se eu tiver que fazer noitadas perfiro que seja em casa… por teletrabalho
- Então e falar para fora? partilhar um acesso à internet por todos, E-mail, Chats, transferência de ficheiros, alojamento do site da minha empresa, público (extranet) ou privado com área privada para os meus clientes e fornecedores (intranet)...
Creio que estas são as necessidades básicas de uma empresa nos dias de hoje… e o Mac OSX Leopard Server faz isto tudo… melhor… tem uma interface de configuração para cada um destes “serviços”, e que pode ser usada directamente no servidor… ou no conforto do seu lar, remotamente… sentado no seu sofá preferido enquanto a sua filha vê o canal Panda e grita ao mesmo tempo que quer a chucha, e a sua esposa reclama que você não larga o computador e os seus vizinho gritam golo na casa ao lado quando você sabe perfeitamente que eles são da equipa contrária à Sua… e que está a decorrer o grande derby entre as duas… o melhor é nem sair do trabalho!
Existem ainda outras joias fabulosas que estão disponíveis… Servidor de podcasts, servidor de wiki (enciclopédia construída pelos utilizadores- excelente repositório de toda a informação da empresa), servidor de quicktime e video streams, para passar constantemente o filme do chefe a receber o prémio do jornal XPTO na televisão da entrada, e actualização remota de todos os computadores que lhe estão ligados.
Ora… isto é muita fruta por 459€ de software (para 10 computadores em simultaneo) ou mesmo 929€ para um número ilimitado.
Se partirmos do princípio que a sua empresa tem esta distribuição (primeiro se a empresa é mesmo sua, esqueça os meus comentários sobre os chefes), e que já tem um mac pro algures pela sala que acabou de ser substituído… provavelmente aqui tem uma boa aplicação para fazer.
E já agora, a pérola é mesmo o time machine centralizado… faz maravilhas pelos seus colaboradores… entra em funcionamento mesmo sem eles saberem… e assegura backups constantes dos seus trabalhos numa area remota… nunca mais poderão dizer… “O computador encravou e estragou tudo o que tinha feito nos últimos 4 dias"…
Multiplique isto tudo por várias direcções diferentes, e rapidamente verá que uma solução em datacenter poderá não ser assim tão cara quanto isso, para os benefícios que ela trás!
5 - E para casa?
Bem para casa nós achamos que é um pouco “overkill”. Se já possui um computador com MacOSX, grande parte das funcionalidades necessárias de servidor já estão instaladas… As partilhas de ficheiros, impressora e afins estão disponíveis nas preferências do sistema, e as aplicações de web como sendo o Apache e o Mysql estão disponíveis no dvd ou na net, ficando de fora as interfaces visuais do MacOSX server para configuração dos serviços adicionais.
Para Backups recomendamos por exemplo a Time Capsule que com espaço até 1 TeraByte poderá servir como alojamento dos conteúdos multimédia, ao mesmo tempo que faz backups dos discos de todos os computadores lá de casa...que tenham macosx.
O acesso remoto já vem instalado, e poderá usar um “VNC viewer” como o Chicken of the VNC, inteiramente gratuito e disponível na net… para estar em casa, no seu sofá blah balh blah… mas aí… não tem hipótese de fuga.
6 - Outras informações sobre o server.
Eu sei que esperavam algo detalhado sobre o Leopard Server.
Eu sou economista, e não tenho um escritório com macs para poder implementar uma solução desta, dando-vos feedback… mas arranjei quem o tenha! mas isso...fica para outra parte!
LInks úteis para quem quer saber tudo (com filmes) sobre a configuração de um Mac OSX Server
- Página oficial do Mac OSX Server
- Série de filmes no freemacblog sobre configuração de um Mac OSX Server num Mac Mini
- Posts “todos seguidinhos do EcosImprevistos
- site brasileiro sobre Macs em ambiente de trabaho
Agora vou dormir.
Sobre esta entrada
Este texto entitula-se "Mac OS X Server. Introdução ao mundo dos grandes! Parte II (actualizado)" e está inserido no tema "iSwitch"
- Publicado por:
- Joao Carvalhinho
- em:
- 10/05/08 - 01:20 AM
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- Software | Sistema Operativo | Comercial | Tutoriais | Avançados |
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Delicioso texto cheio de humor à mistura. Fazes-me lembrar a minha situação. Neste momento tenho em bébé ao colo e comento-te e já fiz uns posts só com uma mão (o difícil que é nã poder usar comandos assim...).
Mais uma vez gostei do texto e nota-se que tens uma visão clara de um servidor. Também sabia disso tudo. Há passagens em que te referes ao Leopard Server totalmente acertado.
És mais alguém consciencializado do potencial deste Server por tão pouco dinheiro e para tantos utilizadores.
No mundo Windows Server só as licenças dos penduras em quantidade deitam tudo a perder… Acho que o OS X SERVER 10.5 poderia ajudar muita empresa, em especial as pequenas e os departamentos com Mac. A minha “cruzada” tem sido por essa razão e o meu espanto perante quem vende Apple e fala por aí nos sites e blogs vem daí também.
Nota: Gostei de te ver a referenciar a MBE. São bestiais e estava para fazer em breve um artigo a dar-lhes referência. Adiantaste-te no meu caminho com essa…
Continua com esta série de artigos muito úteis que em breve farei um apanhado e publicarei referências daqui.
Vai dormir sim… que eu também.
Off-topic: Põe a Lojamac a dar algum air-play também. Não julgues que ando á cata de know-how gratuito… É que percebo o constrangimento em falar de assuntos deste foro mais empresarial. Na empresa temos os profissionais da empresa que nos vende e dá apoio técnico sobre tudo Apple. A pagar e bem. E o Leopard Server, á custa da minha “chico-espertice”, já teve de ter um dia inteiro de assistência. Ao fim do dia o técnico insistiu no meu objectivo de pois de vermos tudo a funcionar em pleno e o Server “rebentou”. Um dia de assistência que foi à vida. Depois quem acabou a por tudo direito outra vez fui eu de novo (e não recebi a ouro como o técnico…